Decisões comerciais do bloco afetam preços de alimentos bebidas equipamentos e embalagens usados diariamente no setor
Estimativas do setor indicam que parte relevante dos custos dos restaurantes está ligada a insumos influenciados pelo comércio exterior. Alterações cambiais e acordos no âmbito do Mercosul afetam desde vinhos e azeites até equipamentos, embalagens e matérias-primas. Ainda assim, muitos empresários veem o tema como distante da rotina do negócio.
Para Marcelo Marani, especialista em gestão financeira e controle de custos no setor de bares e restaurantes, fundador e CEO da Donos de Restaurantes, empresa voltada à capacitação e consultoria para o foodservice, o bloco regional interfere mais no caixa do restaurante do que o empresário costuma perceber. “O dono sente o aumento do custo, mas nem sempre entende a origem. O Mercosul define tarifas, facilita ou dificulta importações e influencia o câmbio. Tudo isso chega ao preço final do prato”, afirma.
O impacto aparece com força na cadeia de suprimentos. Produtos comuns no cardápio brasileiro, como carnes do Uruguai, vinhos da Argentina, farinhas especiais, pescados e até máquinas industriais, circulam entre países do bloco.
Mudanças em acordos comerciais, crises regionais ou instabilidade política tendem a se refletir rapidamente nos preços e na previsibilidade das entregas. “Não é apenas o item importado. Fertilizantes, embalagens e insumos energéticos usados na produção local também sofrem influência desse cenário”, observa.
Os efeitos se estendem à precificação. Dados do IBGE mostram que, em períodos de maior volatilidade cambial, a inflação da alimentação fora do domicílio frequentemente avança acima do índice geral de preços.
Para o empresário, isso significa a necessidade de revisar cardápios com mais frequência, equilibrando margem e competitividade. “Quem não entende esse movimento acaba reagindo tarde, reajustando preços de forma improvisada e sem critério”, alerta.
A gestão passa a ter papel central. Controle rigoroso de custos, negociação constante com fornecedores e diversificação das origens de compra ajudam a reduzir a exposição às oscilações externas. “O restaurante não controla o Mercosul nem o dólar, mas controla processos, contratos e decisões internas. É isso que separa quem atravessa momentos de pressão de quem fecha no vermelho”, aponta.
Marani defende ainda que o empresário busque apoio especializado para interpretar o ambiente macroeconômico e transformá-lo em decisões práticas. “Assim como ninguém toca um restaurante sem contador, não faz sentido ignorar quem entende de custos, cadeia de suprimentos e formação de preço. A economia internacional já faz parte da operação”, diz.
Quando a política comercial chega ao caixa
Antes de qualquer ajuste, é fundamental mapear onde estão os principais pontos de exposição do negócio às variações externas. A partir desse diagnóstico, algumas ações ajudam a reduzir riscos e criar mais previsibilidade.
O especialista mostra cinco cuidados e vantagens para o empresário observar
Antes da adoção das medidas, o especialista ressalta que o objetivo não é sofisticar a gestão, mas criar rotinas simples e consistentes.
- Revisar fornecedores regularmente
Avaliar a origem dos insumos e comparar opções nacionais e importadas reduz a dependência de mercados mais voláteis.
- Basear a precificação em custo real
Fichas técnicas atualizadas e atenção às variações cambiais evitam perda silenciosa de margem.
- Negociar contratos de médio prazo
Acordos mais longos podem proteger o restaurante de oscilações bruscas de preço.
- Planejar compras e estoques
Antecipar aquisições em momentos de câmbio mais favorável ajuda a suavizar impactos no caixa.
- Contar com apoio profissional especializado
Consultorias em gestão e custos traduzem o cenário macroeconômico em decisões operacionais mais seguras.
Ao longo de toda a cadeia, decisões tomadas fora do país acabam se refletindo na operação cotidiana dos restaurantes, do planejamento de compras à formação de preços. Mesmo sem acompanhar de perto acordos comerciais ou debates diplomáticos, o empresário sente esses efeitos no caixa e na margem. “O Mercosul não é um assunto distante de política externa. Ele está presente no estoque, na planilha de custos e no preço final do prato”, conclui.
Texto: Carolina Lara
Imagem: divulgação
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