📅 3 a 6 de Agosto de 2027 · São Paulo Expo
A Feira Os Visitantes Na Mídia Revista USE Depoimentos Local Mídia Kit
Credenciamentos

Na Mídia

← Voltar às Notícias DO RECORDE AO VALOR: O NOVO DESAFIO DO TURISMO BRASILEIRO
Na Mídia 30 de Setembro de 2026 • ✍️ Redação HOTEX

DO RECORDE AO VALOR: O NOVO DESAFIO DO TURISMO BRASILEIRO

O Brasil nunca recebeu tantos turistas estrangeiros quanto agora. Em 2025, foram 9.287.196 chegadas internacionais, crescimento de 37,1% em relação a 2024. É um resultado histórico e, evidentemente, uma boa notícia para quem atua no turismo, na hotelaria, na gastronomia e em toda a cadeia que atende

Por Sol Andreassa, CEO da HOTEX – Feira Brasileira do Turismo, Hotelaria e Gastronomia

 

Mas recordes precisam ser analisados além do número.

O turismo internacional também cresceu no mundo em 2025. Segundo a ONU Turismo, foram aproximadamente 1,52 bilhão de chegadas internacionais, avanço de cerca de 4% sobre 2024.

Portanto, existe um movimento global de crescimento das viagens. O que chama atenção no caso brasileiro é a velocidade. Enquanto o mundo cresceu 4%, o Brasil avançou 37,1%. Não estamos falando apenas de acompanhar uma tendência internacional. O país cresceu quase dez vezes mais do que a média mundial. Então, a pergunta que não quer calar:

Por que o Brasil cresceu tanto?

Não existe uma única explicação. Uma delas está na conectividade. O aumento da oferta aérea internacional tornou o Brasil mais acessível. Em 2025, 6.132.901 turistas estrangeiros chegaram ao país por avião, o equivalente a 66% das chegadas internacionais. O fluxo aéreo cresceu 33,2% sobre 2024.

É uma relação bastante objetiva: sem acesso, não existe destino turístico competitivo.

Novas frequências, rotas e assentos ampliam as possibilidades de entrada e também ajudam destinos que antes dependiam excessivamente dos grandes portões internacionais. Mas há outro dado que precisa ser observado.

A AMÉRICA DO SUL EXPLICA BOA PARTE DESSE RESULTADO

Dos 9,29 milhões de turistas internacionais recebidos pelo Brasil em 2025, 5.988.012 vieram da América do Sul. Estamos falando de 64,48% de todo o turismo receptivo internacional do país. A Argentina, sozinha, respondeu por 3.386.823 visitantes. Depois vieram Chile, com 801.921, e Estados Unidos, com 759.637. Isso muda um pouco a leitura do recorde.

O Brasil está recebendo mais turistas estrangeiros, sim. Mas esse crescimento ainda tem forte componente regional. Proximidade geográfica, conexões aéreas e terrestres, câmbio e facilidade de deslocamento fazem diferença. Não vejo isso como uma fragilidade. Ao contrário. Ter um mercado regional forte é uma vantagem competitiva importante. O cuidado é não confundir crescimento do receptivo com uma internacionalização já consolidada em todos os grandes mercados emissores. Pois são coisas diferentes.

 

O BRASIL ESTÁ MAIS VISÍVEL

Também houve um trabalho maior de promoção internacional. Participação em feiras, campanhas no exterior, presença junto aos operadores e mercados emissores e uma comunicação mais ativa do destino Brasil ajudam a recolocar o país no radar do viajante. Quem trabalha com turismo sabe que destino também é marca. Não basta ter praias, natureza, gastronomia, cultura ou bons hotéis. Outros países também têm excelentes produtos turísticos e estão disputando exatamente o mesmo viajante. Essa disputa acontece antes do embarque, quando o turista decide para onde vai, quanto pretende gastar e quantos dias permanecerá naquele destino. Por isso, promoção internacional não pode ser tratada como uma ação pontual. Precisa de continuidade.

O NÚMERO QUE MERECE MAIS ATENÇÃO

Há uma comparação que considero particularmente importante. Enquanto o número de turistas internacionais cresceu 37,1% em 2025, os gastos desses visitantes no Brasil aumentaram 7,1%, alcançando US$ 7,865 bilhões, segundo dados do Banco Central. Foi também o maior valor da série histórica. Os dois recordes são positivos. Mas a distância entre as duas taxas merece análise. Se recebemos 37,1% mais turistas e a receita internacional cresceu 7,1%, a discussão não pode ficar restrita a quantas pessoas atravessaram nossas fronteiras. Precisamos discutir quanto esse turista permanece no Brasil, quanto consome, quais destinos visita e quanto desse dinheiro efetivamente circula pela cadeia turística brasileira. Para mim, esse é um dos pontos centrais da próxima etapa. Não interessa apenas aumentar fluxo. Interessa aumentar valor.

E ONDE ENTRA A HOTELARIA?

No centro dessa discussão. Mais turistas significam mais hóspedes, mas significam também mais pressão sobre a operação. Quartos precisam estar preparados. Restaurantes precisam atender. Lavanderias precisam responder ao aumento de volume. Sistemas precisam funcionar. Equipes precisam estar treinadas. Manutenção, limpeza, segurança, tecnologia e abastecimento precisam acompanhar a demanda. É exatamente aí que o crescimento do turismo deixa de ser uma estatística e chega à operação. Tenho acompanhado de perto, por meio da HOTEX e do contato permanente com hotéis, redes, fornecedores e profissionais do setor, uma questão que aparece repetidamente: podemos aumentar a demanda muito mais rapidamente do que conseguimos preparar a estrutura para atendê-la. Mão de obra continua sendo um problema. Formação e retenção de profissionais também. Produtividade, tecnologia e qualificação dos serviços estão na mesma agenda. Receber mais turistas é excelente. Recebê-los bem é outra questão. E, se queremos que voltem, é a segunda que importa.

O TURISTA NÃO FICA APENAS NO HOTEL

Há ainda uma dimensão que muitas vezes desaparece quando olhamos apenas as estatísticas de desembarque. Um turista que chega ao Brasil não consome apenas uma diária. Ele utiliza transporte, frequenta restaurantes, compra produtos, visita atrações, participa de eventos, contrata serviços e movimenta negócios que muitas vezes nem são classificados diretamente como turísticos. É por isso que turismo e hotelaria precisam ser analisados como cadeia econômica. Quando um hotel cresce, compra mais alimentos, amenities, enxoval, equipamentos, tecnologia, mobiliário e serviços. Contrata pessoas e movimenta fornecedores. Essa engrenagem é muito maior do que o número de hóspedes registrado na recepção.

O BRASIL AINDA TEM MUITO ESPAÇO PARA CRESCER

Também precisamos manter alguma perspectiva. Os 9,29 milhões de turistas internacionais de 2025 representam um avanço extraordinário em relação aos 6,77 milhões de 2024. Mas o Brasil ainda está distante dos volumes recebidos pelos maiores destinos turísticos internacionais. Isso não diminui o recorde brasileiro. Mostra o tamanho da oportunidade. Temos território, diversidade, natureza, gastronomia, cultura, grandes eventos e uma hotelaria que tem se mostrado melhor, a cada dia, se profissionalizando cada vez mais. Mas potencial turístico não se converte automaticamente em turismo. É preciso acesso. Infraestrutura. Segurança. Promoção. Formação profissional. Investimento. Produto turístico organizado, e continuidade.

DEPOIS DO RECORDE, VEM A PARTE MAIS DIFÍCIL

Os primeiros resultados de 2026 mostram que o fluxo internacional permanece elevado. No primeiro trimestre, o Brasil recebeu 3,74 milhões de visitantes estrangeiros, novamente um recorde para o período. É uma ótima notícia. Mas creio que a pergunta mais importante para o setor agora não seja se conseguiremos outro recorde.

A pergunta é: o que faremos com esse crescimento?

Se aumentarmos o número de visitantes sem aumentar permanência, consumo, qualidade dos serviços e distribuição desse fluxo pelo território nacional, teremos aumentado movimento, não necessariamente desenvolvido o turismo na mesma proporção. O Dia Mundial do Turismo é uma boa oportunidade para comemorar os resultados brasileiros. São números que merecem reconhecimento. Mas, para quem está dentro do setor, eles também trazem responsabilidade. O Brasil conseguiu colocar mais turistas para dentro de suas fronteiras. Agora precisa fazer com que eles permaneçam mais tempo, conheçam mais destinos, consumam mais produtos brasileiros, encontrem serviços à altura de suas expectativas e tenham motivos para voltar.

O próximo recorde que deveríamos perseguir não deve ser apenas o de chegadas. Deve ser o de valor gerado pelo turismo no Brasil.

E a viagem brasileira está só começando.

 

 

Fontes: ONU Turismo; Banco Central do Brasil; Embratur; Ministério do Turismo; Ministério de Portos e Aeroportos; Polícia Federal.

Imagem:  Open/IA

———————————————————————————-

Somos o Grupo Multimídia, editora e agência de publicidade especializada em conteúdos da cadeia produtiva da madeira e móveis, desde 1998. Informações, artigos e conteúdos de empresas e entidades não exprimem nossa opinião. Envie informações, fotos, vídeos, novidades, lançamentos, denúncias e reclamações para nossa equipe através do e-mail [email protected]. Se preferir, entre em contato pelo whats app (11) 9 9511.5824 ou (41) 3235.5015.

​Conheça nossos ​portais, revistas e eventos​!

madeiratotal.com.br
revistavarejobrasil.com.br
megamoveleiros.com.br
revistause.com.br
www.hotex.com.br